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Viver com a bipolaridade

Tenho um único propósito, para já, pois tenho uma doença mental (riso)! Partilhar com todos, os dispensarem uns minutos para ler, os meus pensamentos e sensações. Não me deixam descrever mais. Leiam! <3

Viver com a bipolaridade

Tenho um único propósito, para já, pois tenho uma doença mental (riso)! Partilhar com todos, os dispensarem uns minutos para ler, os meus pensamentos e sensações. Não me deixam descrever mais. Leiam! <3

30.Set.17

Viver com a bipolaridade

Boa tarde.

 

Hoje acordei com um pensamento, o título do meu bebé blog! "Viver com a bipolaridade", sim eu vivo com ela, mas como disse um dia numa aula em que "apresentei" a doença, eu não a sou.

 

Sou uma míuda de 29 anos com sonhos iguais a todas as minhas amigas, outros só meus. Com dias bons, como o de hoje. Em que namoro, me apaixono pelas coisas e sinto no meu ecossistema tranquilidade. 

 

Nesta fase, mais depressiva, é difícicil alcançar esse objetivo, a harmonia. Mas há momentos que sou só eu a Sofia a viver e gosto deles <3

 

Amanhã terão, provavelmente as primeiras fotos deste blog, sobre tudo o que hoje, eu, a Sofia fez ao tentar esquecer que a arrastar no pé vem essa maldita doença.

 

E vocês como se sentem hoje?

 

Sofia

29.Set.17

E vocês quem são?

Boa tarde.

 

Hoje levei para a enfermeira que me acompanha a lista do que eu era. Afinal consegui encontrar adjectivos para me definir. Coisas boas e coisas más.

 

Uma das coisas que percebi foi que eu sou agressiva com as pessoas que amo, por me sentir mal comigo. E é verdade, sou a única culpada das roturas que tenho com as pessoas que gosto.

 

Preciso de mudar isso, ganhar confiança em mim, para não atacar tudo o que é um estímulo bom!

 

Vou refletir bem sobre isso. E continuar, também a pensar, no que sou e quero ser.

 

E vocês quem são?

28.Set.17

Pior dia de terapia

Pior dia de psicologa de sempre: quando ela te confronta com a verdade. "Se afirma que a sessão não dá resultado algum (note-se que já estou com ela à mais de dois anos) então deve pensar se vale a pena continuar. Pode não servir para si" Não falou exactamente com estas palavras, mas era o que queria dizer. Fiquei desarmada e só chorei, por dentro, por fora. 

 

Senti que tinha que suplicar para ela ficar, pois com ela sinto-me mais segura. Apesar de afirmar imensas vezes que não vejo resultados. Em suma, não a quero perder também. Quero perceber o mecanismo da sessão e colaborar mais.

 

Foi uma manhã muito emotiva e enervante. Como já tinha dito, dormi pouco o que não ajudou ao meu bem-estar. Vou continuar a escrever pois vi que existiram pessoas que leram, o que me deixa de coração cheio!

 

Espero que passem aos comentários e que seja uma partilha de emoções, sensações e lutas. 

 

Fico á espera,

Sofia

28.Set.17

Quem sou eu depois de tudo?

Bom dia cedinho.

 

Não dormi as 8horas que preciso para ficar com a boa disposição que se quer. Acordei e adormeci a pensar na amizade, numa das raízes mais bonitas do amor.

 

Como dizia ontem, um pouco mais desiludida, se tivesse uma perna partida não perdia amigos, quando a doença se aguçasse estariam lá todos a tirar fotos, a escrever no membro lesionado.

 

Desta vez a depressão também se complicou e quem ficou? Muito poucos, que conto pelas minhas duas mãos. Perdi amizades que considerava de qualidade. Erro meu! Bizarro erro. E isso dói tanto. Não valiam mais que um cêntimo. 

 

Hoje vou ter uma sessão com a psicologa e falar com a enfermeira, que me deixou uma pergunta "Quem sou eu?" E quem sou? E quem são vocês? Falem comigo.

 

Carinhos,

Sofia Fonseca

27.Set.17

Primeiro dia/noite do bebé blog

Uma insónia. Uma de muitas que nestes anos de autêntica guerra aberta à bipolaridade sofro. Este é o meu primeiro post, por isso tem que ser esclarecedor da minha posição, do meu estado e como encaro toda esta porcaria. Falando assim parece que a encaro com revolta, mas não, ou talvez, por momentos. 

Ter uma depressão, um dos extremos da doença bipolar (não usarei termos médicos porque não sou médica), é uma merda! É o que sinto hoje, talvez por ser meia-noite (e normalmente me deitar ás 22h) ou simplesmente porque entrei um género de tratamento a longo prazo que tem como maior objectivo preparar-me para uma coisa que não sei fazer, viver como um comum mortal. Sou só eu? Está aí alguém? 

Fiz uma pesquisa rápida por grupos de auto-ajuda, e pouco ou nada encontrei em português e de Portugal. Também, admito, não perdi muito tempo. Amanhã estarei com a minha psicologa e com uma enfermeira especializada, que me seguem e tentarei sacar nomes de instituições que não me cobrem dinheiro para eu vomitar a minha história. 

Sempre fui contra grupos de pessoas a falarem das suas dificuldades, mas hoje, já com 29 anos, começo a mudar de opinião. Em relação a isso e a muitas outras coisas (mas não posso dizer tudo num post e não ter mais para vos dar). Aliás este conceito de blog na minha vida já existiu antes, de uma forma escondida, com um pseudónimo. Mas porque me escondo eu, se o que quero é mudar mentalidades? Dizer aos amigos que perdi, á parte da família que não percebe, que esta merda é real! Tão real como uma perna partida, que estaria toda cheia de gesso, e os amigos tirariam selfies para mostrarem ao mundo que estariam do lado do doente. 

Mas que doença é esta? É eterna! Fogo, como é possível ser eterna? Mas não é a sua longevidade que me assusta, mas sim a sua particular característica, a de ser incapacitante. 

Já estive internada, mas isso com o tempo falarei, já trabalhei sem que ninguém soubesse o que tinha (não o era, tinha-o. E isso permanece), já namorei, prometi casar e agora que me apaixonei a sério e que a vida parecia ter todas as peças, como num puzzle, para se montar direitinha, lá aparece a magana da dor. É um fogo que invade o meu peito, a minha mente e me congela, ou melhor me faz fugir de tudo o que exija mais do que eu acho que consigo. Mas o que é que eu consigo? 

Estou cheia de dúvidas, de incertezas, mas com muito mais bagagem positiva que nas outras vezes que tive que parar, respirar um momento, trabalhar com vários terapeutas e terapias. Hoje sei que vou melhorar, não hoje, agora á meia noite, mas sim amanhã sei que vou acordar e pensar " eu consigo". 

Tenho muitos projectos e não me posso falhar. Posso parar, colaborar com médicos e terapeutas, mas não posso desistir. 

Por hoje não vos chateio mais. Mas vou falando até conseguir encontrar mais pessoas e pudermos com isto partilhar histórias, sensações, dores, alegrias, tudo o que faz da vida ela mesma! 



Com carinho, 

Sofia

 

 

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