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Viver com a bipolaridade

Tenho um único propósito, para já, pois tenho uma doença mental (riso)! Partilhar com todos, os dispensarem uns minutos para ler, os meus pensamentos e sensações. Não me deixam descrever mais. Leiam! <3

Viver com a bipolaridade

Tenho um único propósito, para já, pois tenho uma doença mental (riso)! Partilhar com todos, os dispensarem uns minutos para ler, os meus pensamentos e sensações. Não me deixam descrever mais. Leiam! <3

18.Out.17

Adeus medo (só porque gosto de escrever)

Parabéns! Hoje é o teu dia. Afinal, são todos. Cada dia é um dia mais de ti. Tens a pele nívea, cor da cale, és como um nevoeiro que se abate sobre a serra e só se vislumbra as formas retorcidas das coisas.

Tens vários nomes, mas o melhor, objectivamente, é Medo. Poderia também ser pânico, mas o primeiro é mais abrangente, acho eu.

És um flagelo tão grande que incapacita a minha vida. Como o terror do primeiro beijo ou do inicio  de um ano escolar. És tu, meu doce e amargo Medo.

Não tens nome, mas foste criado em mim e fustigando o meu peito lentamente até criares raízes em todo o meu corpo. Resides em cada canto meu. E hoje, tens o teu aniversário. Mais que em outros momentos estás presente numa nova etapa da minha vida.

Vou deixar o ecrã e mostrar as minhas palavras ao mundo, e tu não vais faltar. E dás voltas e voltas em mim. Peço auxilio a toda a gente, mesmo os mais desconhecidos que me acham uma mulher calma e um pouco insegura. Demonstro, pela primeira vez,  que sou frágil e sim, muito, insegura.

Receosa, é assim que me deixas. Como um bebe que sai do ventre materno e chora, sem quase ar, retirado do seu pequeno ecossistema, que conheceu em 9 meses.

E eu só conheci este computador por meses a fio, até completar o livro. Não tenho ilusões, sei que não serão simples cartas ficcionadas que venderão milhões, mas sei que haverá pelo menos uma ou duas pessoas que as lerão e conhecerão o seu sabor. Porque as palavras, Medo, têm sensações para o paladar de quem as prova. Para os olhos que as vislumbram e para o toque que as sentem.

Hoje fazes decerto anos. E não queria estar contigo, pois no nosso aniversário temos sempre mais força, mas animo. E tu, Medo, tens mais pujança para me aniquilares como um presa mais lenta de um tigre. Corre, foge, mas é, quase sempre, caçada. Morta à dentada, severamente. É a lei da natureza, dizem, eu acho uma crueldade desmedida. Mas quem sou eu para falar nisso, quando como carne, em vez de, somente, legumes. A crueldade dos matadouros é assustadora, mas quem sou eu para falar num assunto, que prefiro, quase, desconhecer.

Falo de ti, não de se ser vegetariano. Escrevo-te a ti, uma carta, como todas as que passaram atrás de ti.

Gostava que tivesses outro nome, talvez não me causasses tanto receio. Sei lá, Manuel? Começa também pela letra “M”. Então, Manuel, não te quero, vai-te embora, já não te amo.

Houve tempos que te amei, gostava de sentir essa dor percorrer as minhas entranhas, os meus ossos. Corroer-me! É isso, enlouquecia de prazer com essa bondade maquiavélica, contigo.

Medo, meu querido, não te quero mais. Festeja este dia só, troquei-te pelo nascer do sol ás 8h da manhã na minha janela. Enquanto os estores se levantam lentamente, como se dançassem. E eu acompanho essa melodia imaginária dançando ás voltas na cama, enquanto acordo lentamente. Colhe a tempestade e leva-a contigo, não te quero. Saí!

 

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