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Viver com a bipolaridade

Tenho um único propósito, para já, pois tenho uma doença mental (riso)! Partilhar com todos, os dispensarem uns minutos para ler, os meus pensamentos e sensações. Não me deixam descrever mais. Leiam! <3

Viver com a bipolaridade

Tenho um único propósito, para já, pois tenho uma doença mental (riso)! Partilhar com todos, os dispensarem uns minutos para ler, os meus pensamentos e sensações. Não me deixam descrever mais. Leiam! <3

27.Set.17

Primeiro dia/noite do bebé blog

Uma insónia. Uma de muitas que nestes anos de autêntica guerra aberta à bipolaridade sofro. Este é o meu primeiro post, por isso tem que ser esclarecedor da minha posição, do meu estado e como encaro toda esta porcaria. Falando assim parece que a encaro com revolta, mas não, ou talvez, por momentos. 

Ter uma depressão, um dos extremos da doença bipolar (não usarei termos médicos porque não sou médica), é uma merda! É o que sinto hoje, talvez por ser meia-noite (e normalmente me deitar ás 22h) ou simplesmente porque entrei um género de tratamento a longo prazo que tem como maior objectivo preparar-me para uma coisa que não sei fazer, viver como um comum mortal. Sou só eu? Está aí alguém? 

Fiz uma pesquisa rápida por grupos de auto-ajuda, e pouco ou nada encontrei em português e de Portugal. Também, admito, não perdi muito tempo. Amanhã estarei com a minha psicologa e com uma enfermeira especializada, que me seguem e tentarei sacar nomes de instituições que não me cobrem dinheiro para eu vomitar a minha história. 

Sempre fui contra grupos de pessoas a falarem das suas dificuldades, mas hoje, já com 29 anos, começo a mudar de opinião. Em relação a isso e a muitas outras coisas (mas não posso dizer tudo num post e não ter mais para vos dar). Aliás este conceito de blog na minha vida já existiu antes, de uma forma escondida, com um pseudónimo. Mas porque me escondo eu, se o que quero é mudar mentalidades? Dizer aos amigos que perdi, á parte da família que não percebe, que esta merda é real! Tão real como uma perna partida, que estaria toda cheia de gesso, e os amigos tirariam selfies para mostrarem ao mundo que estariam do lado do doente. 

Mas que doença é esta? É eterna! Fogo, como é possível ser eterna? Mas não é a sua longevidade que me assusta, mas sim a sua particular característica, a de ser incapacitante. 

Já estive internada, mas isso com o tempo falarei, já trabalhei sem que ninguém soubesse o que tinha (não o era, tinha-o. E isso permanece), já namorei, prometi casar e agora que me apaixonei a sério e que a vida parecia ter todas as peças, como num puzzle, para se montar direitinha, lá aparece a magana da dor. É um fogo que invade o meu peito, a minha mente e me congela, ou melhor me faz fugir de tudo o que exija mais do que eu acho que consigo. Mas o que é que eu consigo? 

Estou cheia de dúvidas, de incertezas, mas com muito mais bagagem positiva que nas outras vezes que tive que parar, respirar um momento, trabalhar com vários terapeutas e terapias. Hoje sei que vou melhorar, não hoje, agora á meia noite, mas sim amanhã sei que vou acordar e pensar " eu consigo". 

Tenho muitos projectos e não me posso falhar. Posso parar, colaborar com médicos e terapeutas, mas não posso desistir. 

Por hoje não vos chateio mais. Mas vou falando até conseguir encontrar mais pessoas e pudermos com isto partilhar histórias, sensações, dores, alegrias, tudo o que faz da vida ela mesma! 



Com carinho, 

Sofia

 

 

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